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A China me recebeu de braços abertos

por Júnior Moraes*

Fui pego de surpresa com a proposta do futebol chinês. Ela veio no último dia da janela de transferências em fevereiro deste ano.

Estava acabando um treino no Dínamo de Kiev e o diretor me ligou para falar da proposta, que por sinal era muito boa e de empréstimo por 4 meses. 

Não estava nos meus planos sair da Ucrânia naquele momento. Queria terminar o campeonato ucraniano disputando a artilharia, como eu estava. Mas depois do anúncio de uma suspensão, decidi que deveria aproveitar a oportunidade de trabalhar com o Cannavaro e de conhecer a China.

Conversei bastante com a minha família. Procurei contato com jogadores que estavam na China. Todos falaram muito bem. Tive a segurança que precisava para aceitar o convite.

A minha adaptação foi muito boa, justamente porque os jogadores, a comissão e as pessoas na China me recepcionaram muito bem. E foi o que eu mais gostei. Desde quando eu cheguei me senti muito à vontade no clube, senti como se fosse uma família mesmo. Isso ajudou bastante no começo.

Aprendi muito com o Cannavaro nesses quatro meses trabalhando juntos. Fiquei muito feliz de poder trabalhar com ele e ter essa oportunidade. Com o Witsel, com o Pato e com o Geuvânio também. São grandes jogadores, importantes no futebol, que são reconhecidas mundialmente. Foi um momento muito bom para mim.

Eu não conhecia a China. Foi um desafio bem diferente. A expectativa era de chegar e jogar imediatamente. Meu objetivo era ser artilheiro da Super Liga e ajudar a equipe a classificar para a Champions League asiática.
Só que a regra de estrangeiros havia mudado recentemente. Com a necessidade do Cannavaro de escalar um defensor estrangeiro, o Geuvânio e eu tivemos poucas oportunidades de jogar. 

O futebol chinês é muito rápido, os chineses são muito rápidos. Fazem um futebol muito forte, de muita pancada. Às vezes quem vê de fora e não conhece, acredita que é um futebol mais tranquilo, mais fácil e não é simples assim. 
É um futebol difícil, dinâmico. Faltam algumas coisas, com certeza. Mas está evoluindo bastante e eu vi muita diferença de quando cheguei para agora. Eles têm vontade de crescer e evoluir, de estar cada vez melhor e isso é muito importante. E eu já vejo grande melhora. Acredito que no futuro a China vai estar muito bem.

Eu fiquei muito surpreso com a estrutura da cidade de Tianjin. É uma cidade que eu não conhecia, não tinha ouvido falar sobre. É uma cidade de primeiríssima, tem tudo e não faltou nada para a gente. A estrutura é muito boa e é uma cidade tranquila. Muitas vezes eu pensava que estava na Europa, pela arquitetura, muitos prédios parecidos com os de Londres. Muitos prédios gigantes, uma arquitetura fantástica. Eu adorei viver em Tianjin.

Nas poucas folgas que tive conheci a Muralha, alguns outros lugares em Beijing que são importantes. Gostava muito de ir em Salitun, que é um bairro onde tem mais estrangeiros, tem uns restaurantes que eu gosto. Maioria das folgas fui pra Beijing mesmo.

Apesar de em Tianjin não ter muitos passeios turísticos, tem vários lugares legais para conhecer. Pretendo voltar aqui de férias e poder aproveitar mais esses lugares.

Agora eu tenho mais um ano de contrato com o Dínamo de Kiev. Meu foco é voltar à luta para ser campeão e disputar a UEFA Champions League. Vai ser bom para mim. E no futuro, a gente não sabe o que pode acontecer. Eu gostei muito da China e se a oportunidade de voltar aparecer, voltarei muito feliz porque vivi bons momentos aqui.

*Júnior Moraes é atacante do Dínamo de Kiev-UCR e esteve emprestado ao Tianjin Quanjian durante o primeiro semestre de 2017.

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