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A evolução do futebol chinês que presencio desde 2013

por Alex Fernandes, preparador físico do Shanghai SIPG

Quando cheguei à China em 2013, o futebol era bastante diferente. Não existiam tantos estrangeiros, aliás o mais famoso do país era o Conca do Guangzhou Evergrande. Especulava-se que ele recebia o terceiro maior salário do mundo, atrás apenas do Messi e do Cristiano Ronaldo.
 
Mesmo assim, o principal jogador do Evergrande era o Muriqui, o próprio. Quando chegou o clube estava na  2a divisão. O cara arrebentou. Foi o principal jogador na campanha do acesso. Depois ainda conquistou 3 títulos nacionais. Foi campeão da Liga dos Campeões da Ásia em 2013 e artilheiro da competição. O cara caiu nas graças da torcida, da diretoria, do time. 


 
Foi nesse ano que desembarcaram na China o Conca, o Elkeson e eu, contratado pelo Elke para cuidar de sua preparação física em trabalho adicional ao do clube.  Meus primeiros meses na China foram de trabalho exclusivo com Elkeson, apenas com ele. Depois desse período inicial fui contratado pelo clube, o que nos permitiu ainda mais contato no trabalho extra que rendeu grandes frutos. Nos conhecemos na época em que trabalhamos no Vitória. A amizade seguiu após ele ir ao Botafogo. 


 
E nos aproximou ainda mais com o seu convite de ir para China em 2013, pouco antes dessa explosão que teve o futebol chinês. Nos próximos textos falarei mais sobre esses aspectos da adaptação ao país que valem a pena ser conhecidos.
 
O ano de 2013 foi perfeito para o Evergrande em geral e para o Elkeson em especial. Ele chegou ao clube como uma aposta do treinador Marcelo Lippi. O treinador italiano Campeão do Mundo inclusive este no Brasil para observá-lo jogar no Botafogo. 
 
Apesar da confiança de Lippi, ninguém conhecia o futebol de Elkeson na China. Sua chegada não foi uma recepção que levasse à torcida à loucura.
 
Quando Elkeson desembarcou na China, os estrangeiros inscritos na Liga dos Campeões da Ásia eram os argentinos Conca e Lucas Barrios e o brasileiro Muriqui. 
 
Graças a Deus, Elkeson começou a empilhar gols nas competições nacionais logo de cara. 

O treinador italiano não teve dúvidas. Colocou Elkeson no lugar de Barrios na lista da competição asiática. Com a saída de Barrios era natural que Elkeson fosse inscrito na competição asiática. , em que só se podia inscrever 3 estrangeiros. 
 


A aposta de Lippi começou a se demonstrar um grande acerto. O Evergrande ganhou a Super Liga da China com 14 pontos de vantagem para o segundo colocado, com Elkeson sendo artilheiro, e da Liga dos Campeões da Ásia. Terminamos o ano no Mundial de Clubes no Marrocos enfrentando o Bayern de Munique na semi e o Atlético-MG na disputa do 3˚ lugar.


 
Nestes 4 anos que estou na China, primeiro em Guangzhou e agora em Xangai, no Shanghai SIPG novamente com Elkeson, o futebol local melhorou muito.
 
O futebol chinês nunca havia chegado a uma final de Liga dos Campeões da Ásia. Com o Evegrande ganhamos em 2013 e 2015, chegando a dois mundiais e enfrentando em 2015 o Barcelona do super MSN, com Messi, Suárez e Neymar.
 
A grande diferença está nos jogadores de nível mundial, vindos de grandes equipes europeias, e as comissões técnicas muito competentes e vencedoras. Vários campeões mundiais estão ou estiveram no futebol chinês nesse período, como Felipão, Lippi, Cannavaro. 
 
O nível dos treinamentos melhorou bastante e consequentemente o nível dos jogos. A  competitividade no campeonato chinês também cresceu. Nunca mais se repetiu uma vantagem de 14 pontos de diferença entre o campeão e o vice, como em 2013. Nos últimos anos o título foi decidido ponto a ponto nas últimas rodadas, sempre com 3 equipes disputando a competição. 


 
O nível de jogo dos chineses também cresceu. Afinal, eles são a base dos times locais, cada vez mais prestigiados pela Federação que promove a formação de base e a utilização de atletas Sub-23 nos times profissionais.
 
Esse contato com o melhor do futebol internacional seguirá produzindo resultados cada vez melhores. 
 
Até o próximo texto, pessoal. Um abraço.
 

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