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O começo de SIPG e Shenhua: expectativa de um lado e frustração do outro

Time de Oscar, Hulk e Elkeson e o de Carlitos Tévez precisam de acertos para triunfarem em 2017

Muitas expectativas cercavam as estreias oficiais de Shanghai SIPG e Shanghai Shenhua em 2017. Se de um lado o time de Oscar, Hulk e Elkeson passou no teste, a nova equipe de Carlos Tévez não teve a mesma sorte. As duas partidas da última fase qualificatória da Champions Asiática serviram como interessantes indicadores do que cada time deve acertar no andamento da temporada.

Durante os primeiros 30 minutos de jogo, o SIPG não teve vida fácil contra o Sukhothai. A equipe tailandesa, que disputava o torneio pela primeira vez, tinha mais finalizações que o rival chinês: quatro chutes contra três do SIPG. Muito por conta dos erros na recomposição do sistema defensivo chinês.

O quinteto Akhmedov, Oscar, Hulk, Wu Lei e Elkeson será altamente ofensivo, como se esperava. Mas deixa Cai Huikang como único meia de maior marcação. André Villas-Boas terá duas semanas até a partida contra o FC Seoul para acertar o sistema defensivo. Os cinco jogadores ofensivos só serão utilizados juntos na Champions, devido à limitação de três estrangeiros por jogo na Super Liga da China.

A partir do gol de Oscar, o SIPG tomou o controle da partida. Elkeson aumentou o placar e teria feito o terceiro, se o zagueiro Toopkhuntod não tivesse desviado para as próprias redes. Os tailandeses sentiram os gols e os chineses terminaram o duelo com 18 finalizações contra as mesmas quatro do Sukhothai. Estatística que demonstra a força ofensiva do lado vermelho de Xangai.

No lado azul da cidade, a expectativa pela estreia de Carlos Tévez e pelo retorno do Shenhua à Champions Asiática depois de seis anos deu lugar à decepção. A derrota por 2x0 e a eliminação ainda na fase qualificatória da competição provocou vaias da torcida. Longe de ser humilhante, a maneira como a derrota veio abre muitos questionamentos para a temporada 2017.

O principal equívoco do treinador uruguaio Gus Poyet foi mudar a estrutura herdada do espanhol Gregorio Manzano. Ainda mais ao enfrentar um adversário que está na metade da temporada. O 4-2-3-1 de 2016 deu lugar ao 4-4-1-1 com Giovanni Moreno na meia-direita, Obafemi Martins no comando do ataque com Carlos Tévez às suas costas. Qin Sheng e Sun Shilin fizeram a dupla central no meio, já que Fredy Guarín ficou de fora da lista.

Moreno, camisa 10 clássico e armador, se mostrou pouco à vontade aberto na direita, tanto no apoio quanto na recomposição defensiva. Ao contrário do meia aberto pela esquerda, Cao Yunding, já acostumado com a posição. Nas costas do colombiano, saiu toda a jogada do primeiro gol de Brandon Borrello, ainda complementada por falha do lateral Bai Jiajun.

Se na frente a situação era ruim, atrás era ainda pior. Os gols de Brandon Borrello e Tommy Oar saíram em falhas de posicionamento da defesa chinesa. Atrás no placar, o Shenhua partiu para cima e deu brecha aos contra-ataques australianos. Oar e o atacante Jamie Maclaren ainda poderiam fazer um gol cada, após erros na saída de bola do Shenhua.

Erros de marcação, de passes e de finalizações também. Obafemi Martins perdeu, no mínimo, três chances claras. Uma delas, um gol praticamente feito, defendido pelo goleiro Jamie Young. Carlos Tévez isolou duas chances na área adversária. E em 17 chutes nos 90 minutos, o Shenhua teve 29% de acerto no quesito. Nos passes e no controle do jogo, o Shenhua mostrou que sente a ausência de Fredy Guarín pelo meio.

Natural que o primeiro jogo oficial da temporada não fosse nota dez. Mas se para o SIPG mostrou que a equipe está no caminho certo, para o Shenhua mostrou que o clube terá muito trabalho pela frente. E nesta análise também entra a metodologia de trabalho implementada por cada uma das equipes de Xangai.

Enquanto o SIPG teve dois anos de Sven-Göran Eriksson antes da chegada de André Villas-Boas, o Shenhua tem um treinador diferente por temporada desde 2014. As constantes trocas fazem todo trabalho anual ser descartado e reiniciado no ano seguinte. E os resultados continuam sendo negativos.

Se o SIPG pode voltar a fazer história na Champions Asiática daqui a duas semanas na Coreia do Sul, o Shenhua espera o mês de março para estrear na Super Liga da China contra o Jiangsu Suning. E para quem sabe apagar a impressão deixada na competição continental.

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