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Um ano antes do previsto, Associação Chinesa de Futebol muda regra de estrangeiros

Só o sistema para jogadores estrangeiros não inibe novas contratações de alto custo

As grandes e bombásticas contratações na Super Liga da China estão com os dias contados. Pelo menos para a CFA (Associação Chinesa de Futebol). Com intuito de controlar os gastos dos clubes do país, promover mais espaço aos jovens jogadores e dar seguimento ao plano nacional para o desenvolvimento do esporte, a CFA anunciou mudanças nas regras para estrangeiros no futebol chinês.

Se antes os clubes da Super Liga da China eram inseridos na regra “3+1” (três atletas de qualquer nacionalidade mais um asiático) para disputar uma partida (e “4+1” para o registro de atletas no elenco) agora deverão usar apenas três estrangeiros de qualquer nacionalidade por jogo. Como não houve alterações na quantidade de estrangeiros registrados por clube, cada equipe ainda pode ter cinco jogadores de fora em seu elenco.

Outra importante mudança é a inclusão de dois jogadores chineses com menos de 23 anos no elenco de jogo: um será titular e o outro ficará no banco de reservas. Com isso, a CFA busca não só dar continuidade aos investimentos em categorias de base, bem como dar mais tempo de jogo às gerações futuras.

A mudança na regra tem boas intenções, mas traz consigo problemas para as equipes chinesas. O principal deles é o momento escolhido para a sua implementação. A proximidade do início da nova temporada faz com que muitos clubes revejam o que foi programado para o ano. Semanas antes, clubes e federação haviam concordado em passar da regra “4+1” para “3+1” na temporada 2018.

A queda na quantidade de estrangeiros já oferece uma verdadeira dor de cabeça nos treinadores na China. Pense em André Villas-Boas, por exemplo, que já treinava o Shanghai SIPG com Ahmedov, Hulk, Oscar e Elkeson e agora se vê obrigado a deixar um dos quatro jogadores no banco na liga nacional. Ao menos, o treinador português pode usar força total na disputa da Champions Asiática, onde se joga no sistema “3+1”.

A proposta de dar mais tempo de jogo a jovens jogadores nacionais também é boa, mas pode criar uma nova bolha interna já que a obrigatoriedade aumenta a procura pelos jogadores com menos de 23 anos.

Olhando a última convocação de Marcello Lippi para a China Cup veremos apenas quatro jogadores abaixo da idade limite: dois na segunda divisão do país, um do Guangzhou Evergrande (Wang Jingbin, camisa 7 na foto) e outro do Hebei China Fortune (Gao Zhunyi).

Lembrando que na disputa da China Cup, Lippi não pôde contar com os principais destaques do futebol do país. Se olharmos a única convocação em que o italiano teve a oportunidade de contar com elenco completo, o único jogador sub-23 foi o atacante Zhang Yuning, que joga no Vitesse, da Holanda.

Veremos uma queda no nível técnico da competição se pensarmos a curto prazo. Afinal, serão dois atletas estrangeiros a menos por partida. Mas a longo prazo, jovens jogadores terão a oportunidade de se desenvolver treinando e jogando contra atletas de alto nível como Alex Teixeira, Oscar, Hulk, Carlos Tévez, Witsel e tantos outros presentes na Super Liga. Contudo, o novo sistema para jogadores estrangeiros por si só não inibe mais contratações de alto custo.

Assim, a CFA no comunicado emitido revelou que “continuará divulgando novas regras e políticas que regulem os gastos irracionais da Super Liga da China e da Liga Um Chinesa.” O objetivo, segundo a CFA, é “profissionalizar as operações e a gestão dos clubes.” O que não impediu Shanghai Shenhua e Liaoning de realizarem novas contratações dias após o anúncio das decisões.

Alguns questionamentos ainda pairam no ar: o que farão os demais 12 clubes com jogadores asiáticos em seus elencos e que estão fora da competição continental? E por que razão o Shanghai Shenhua assinou com o paraguaio Óscar Romero um dia após o anúncio das novas regras? E os clubes irão aceitar de comum acordo a nova decisão?

Essas são algumas das muitas perguntas que apimentarão o início da temporada 2017 do futebol chinês.

 

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