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Atacante/zagueiro com 13 anos de China: conheça Vicente de Paula Neto

Jogador de 37 anos é um dos destaques do Xinjiang Tianshan Leopard

Por Leonardo Hartung

Atacante de nascimento e zagueiro por acaso. Vicente de Paula Neto chegou à China como goleador em 2004 e 13 anos mais tarde se vê liderando o sistema defensivo do Xinjiang Tianshan Leopard, time da Liga Um Chinesa.

Com tamanha experiência na China, Vicente vê com nitidez o desenvolvimento do esporte no país: “É só uma questão de tempo para melhorar. Estão no caminho certo.” Confira a entrevista exclusiva do jogador do Xinjiang ao China Brasil Futebol.

ChinaBrasilFutebol: Você chegou à China em 2004 para jogar no Wuhan Huanghelou. Como foi sua adaptação na época?

Vicente: Minha adaptação na época foi muito boa. Tinha dois brasileiros, o Jorge da Costa e o Gilson. O Jorge já tinha três anos aqui na China e já tinha experiência. O Gilson tinha jogado no Japão por uns quatro anos. Cheguei novo na China, sem experiência internacional e me adaptei muito rápido dentro de campo. Fora de campo tive algumas dificuldades com alimentação, com a língua e também com o frio. Mas isso a gente supera.

ChinaBrasilFutebol: Você teve duas passagens pelo Wuhan e também passou por Inter Shanghai, Shaanxi Chanba, Shanghai Shenhua e Wuhan Zall, antes de chegar ao Xinjiang Tianshan Leopard em 2013. Em qual clube chinês você viveu o melhor momento de sua carreira?

Vicente: Vivi momentos mágicos no Wuhan e no Shaanxi Chanba também, onde briguei pela artilharia do campeonato. No Wuhan fui campeão duas vezes. No Shanghai Shenhua também foi muito bom, brigamos pelo título o campeonato todo. Então...por todas as equipes vivi grandes momentos. No Xinjiang tivemos um momento muito bom, pois no papel somos a equipe de menor investimento e passamos pelo Guangzhou Evergrande do Felipão na Copa da China (em 2015).

ChinaBrasilFutebol: Você começou sua carreira como atacante. Mas ao longo dos anos, acabou-se tornando um zagueiro. Como aconteceu essa "transformação"?

Vicente: Essa história é muito engraçada. Sempre fui atacante, homem de área mesmo. Quando jogava no Shanghai Shenhua, o treinador croata Miroslav Blazevic viu que eu ajudava muito na marcação. Teve um jogo em que o time precisava de um zagueiro e não tinha no elenco. O Blazevic pediu para eu fazer a função. Aí no primeiro jogo como zagueiro saí na seleção da rodada. Depois voltei para o ataque. Vim para o Xinjiang e depois de dois anos na equipe novamente precisaram de um zagueiro. Fiz a função, jogando bem e estou como zagueiro até hoje.

ChinaBrasilFutebol: Quais diferenças você vê entre a Super Liga da China e a Liga Um Chinesa, segunda divisão do país, em questões de competitividade e estruturas?

Vicente: Os times da primeira divisão geralmente têm treinadores estrangeiros, tem uma estrutura um pouco melhor. E na parte técnica, digo que seria comparado ao futebol do Brasil. A primeira divisão tem jogadores mais técnicos, que cadenciam mais o jogo. E a segunda divisão é mais baseada na correria, na força e na vontade.

Outra diferença, que também pode ser vista no Brasil, é o poder econômico das equipes. Pode investir na parte fisiológica, que às vezes estruturas da segunda divisão não têm atenção a isso. E os da primeira quase todos têm.

ChinaBrasilFutebol: Como você vê a evolução do futebol chinês desde sua chegada ao país em 2004?

Vicente: Hoje o futebol é muito mais profissional, isso é visível. O investimento nos clubes é bem maior. Cada equipe de primeira divisão tem jogadores de Seleção. Todo mundo antes dizia “se for para a China, esquece a chance de voltar à Seleção” e hoje a gente vê que muitos craques da Seleção Brasileira estão jogando aqui. E isso também evolui o jogador chinês, que copia os passos do estrangeiro. Quanto maior for o nível de qualidade dos estrangeiros aqui, com certeza melhora ainda mais o nível do futebol chinês. É só uma questão de tempo para melhorar. Estão no caminho certo.

ChinaBrasilFutebol: Neste tempo todo em que você esteve na China quais foram os melhores jogadores nacionais com quem você jogou?

Vicente: Pergunta difícil. Joguei com vários craques brasileiros. Fiz dupla de ataque com outros bons jogadores não tão conhecidos no Brasil, mas que tiveram sucesso fora do país. Como o Gilson, atacante que foi artilheiro no Japão por dois ou três anos seguidos. Foram muitos jogadores. Fiz dupla com o Ronny, atacante que jogou no Sertãozinho e em Portugal. Também fiz com o colombiano Duvier Riascos que jogou no Cruzeiro e no Vasco. Joguei com o zagueiro Scheidt e com o Kwame Ayew, irmão do Abedi Pele. Não queria falar os nomes para não esquecer nenhum (risos).

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