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Jogadores brasileiros conquistam notoriedade na China e trocam de nacionalidade para tentar colocar o país na Copa de 2022

Atletas naturalizados são a esperança dos chineses para disputar o próximo mundial

A China é um dos países que mais conta com jogadores brasileiros. Só na primeira divisão, que conta com 16 clubes, encontramos cerca de 30 atletas. Nomes como Hulk, Oscar, Miranda e Ricardo Goulart ajudam a manter o nível da Superliga Chinesa alto. Porém, existem outros atletas que alcançaram um patamar ainda maior no futebol Chinês: o de se naturalizar para ajudar a seleção do país a crescer ainda mais.

Pensando nisso, a redação do China Brasil Futebol reuniu cinco jogadores brasileiros que conquistaram notoriedade no país, ajudam a elevar o patamar do futebol local e estão com nacionalidade chinesa legalizada ou quase pronta.

Elkeson de Oliveira Cardoso/Ai Kesen



Para nós, Elkeson. Atacante com passagens por Vitória e Botafogo. Para eles, Ai Kesen. Chinês considerado um dos ídolos do Guangzhou Evergrande e Shanghai SIPG e que marcou dois gols em 12 jogos pela seleção chinesa em 2019.

A trajetória de Elkeson no futebol começou em 2009, com Vitória. Ele atuou dois anos pelo Leão da Barra, até ser transferido ao Botafogo. No time da Estrela Solitária, o atacante até conseguiu uma projeção nacional ao ser convocado para um amistoso da seleção brasileira contra a Argentina, mas acabou ficando no banco de reservas da partida. Depois de dois anos no Rio de Janeiro, Elkeson foi transferido para o Guangzhou Evergrande, da China, por 5,70 milhões de euros.

No outro lado do mundo, ele conseguiu elevar o patamar de sua carreira, conquistar títulos e ser considerado um dos principais jogadores das equipes que atuou, como mostram os dados abaixo:

Guangzhou Evergrande (primeira passagem): atuando de 2013 a 2015 na equipe dos Tigres do Sul, Elkeson conseguiu disputar 112 jogos, marcar 77 gols, conquistar três Superligas da China (2012/13; 2013/14 e 2014/15) e duas Liga dos Campeões da Ásia (2012/13 e 2014/15).
Shanghai SIPG: atuou de 2016 a 2019 em 113 partidas, marcou 51 gols e conquistou dois títulos: a Superliga Chinesa de 2017/18 e a Supercopa da China de 2018/19.

Os resultados expressivos conquistados na China também lhe renderam prêmios individuais importantes, como o de artilheiro das edições de 2012/13 e 2013/14 da Superliga e o de melhor jogador da temporada de 2014.

Em entrevista para o portal A Tarde, do UOL, Elkeson comentou que a temporada de 2014 foi a mais especial que ele viveu na carreira e que estava feliz com tudo que ocorreu. “Com toda certeza do mundo. Esse ano foi especial, inesquecível para mim profissionalmente. Sem dúvida o ano de 2014 ficará para sempre marcado em minha vida. É muito bom receber esse carinho de dentro e de fora do clube pelos torcedores”.

Sai Elkeson, entra Ai Kesen
 



O sucesso alcançado na China e todo o carinho que a torcida mostrou por Elkeson, ao longo dos anos, fez o atleta querer se naturalizar chinês para poder atuar pela seleção.

“Mas porque a mudança de nome então?”, você deve estar se perguntando. A China não permite que seus cidadãos tenham dupla nacionalidade, ou seja, Elkeson deu baixa em todos os seus documentos no Brasil, ficou apátrida e depois se tornou cidadão chinês oficialmente, ganhando um novo nome.

O sonho de Ai Kesen de retribuir todo o carinho obtido pelo povo chinês em seu carreira, foi concluído há cerca de um ano. Quando ele atuou na partida entre China e Maldivas, que acabou sendo vencido pela sua seleção por 5 a 0, com dois gols dele.

Fato curioso dessa história: Ai Kesen é o primeiro estrangeiro sem pais de origem asiática a atuar na seleção chinesa.
 

Aloisio dos Santos Gonçalves ou Luo Goufu
 

Também conhecido como “Boi bandido”, apelido que ele ganhou nos tempos de Figueirense, Aloísio foi revelado pelo Grêmio em 2007 e acumula passagens discretas por FC Chiasso (Suíça), Caxias, Chapecoense, Figueirense e Tombense.  No São Paulo de 2013, embora não tenha conquistado nenhum título, Aloisio acabou caindo nas graças do torcedor pela raça mostrada nos jogos e por ter marcado gols decisivos na Sul-Americana, que classificaram a equipe para as quartas de final da competição.

O bom momento vivido no Tricolor fez com que Aloísio se transferisse para o Shandong Luneng, da China, por 5 milhões de euros, no final de 2013. Do outro lado do mundo, o Boi bandido foi, pouco a pouco, fixando suas raízes na Superliga Chinesa e elevando o patamar da sua carreira.  Em seis anos de futebol, o atacante conseguiu se tornar um dos jogadores mais respeitados do país, atuar na maior equipe da liga (Guangzhou Evergrande), tirar a nacionalidade chinesa (ser chamado de Luo Guofu) e ser convocado pelo técnico da seleção, Lie Tie.

Confira alguns dados da carreira de Aloísio na China:

Shandong Luneng: cerca de dois anos e meio no clube, marcou 33 gols em 72 jogos, conquistou a Supercopa da China (2014/15) e a Taça da China (2014/15) e foi o artilheiro da Superliga da China (2014/15).
Hebei Fortune: dois anos de atuação, 20 gols em 36 jogos.
Guangdong South China: passagem de dois anos 22 gols em 52 jogos.

Prazer, Luo Guofu
 

Assim como Ai Kesen, Aloisio conseguiu mudar o rumo da sua carreira e colocá-la em outro patamar graças ao futebol chinês. Com isso, o atleta sentiu que precisava retribuir todas as suas conquistas à China e começou o processo de emissão de sua cidadania estrangeira. O processo se concluiu em maio desse ano e Aloísio, então, passou a se chamar Lou Guofu. Ele, inclusive, já foi convocado para treinar com seus colegas e deve fazer sua estreia no próximo jogo das eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo de 2022, que será contra as Maldivas. A partida não tem data marcada por conta da pandemia do novo Coronavírus.

Em entrevista ao globoesporte.com, o atleta celebrou o fato e disse que fará de tudo para retribuir o que a China lhe deu nesses seis anos.

“Já são seis anos e meio na China e essa convocação me enche de orgulho porque significa que todo o meu trabalho e dedicação foram reconhecidos e farei de tudo para retribuir o que a China me deu. Pode ter certeza de que representarei a equipe nacional com muita honra e profissionalismo, como sempre fiz em todos os times que defendi ao longo da minha carreira”, declarou Lou Goufu.
 

Fernando Henrique da Conceição ou Fèi Nán Duō
 

Revelado pelo Flamengo em 2012, Fernandinho praticamente não jogou futebol profissional no Brasil. Foram apenas seis jogos pela equipe Rubro-Negra e 15 pelo Madureira, antes de se transferir para o Estoril (Portugal) e Chongqing Lifan (China), time que atualmente conta com os brasileiros Alan Kardec, Marcinho, Fernandinho (ex-Grêmio e São Paulo) e Marcelo Cirino.

Pelo Lifan, Fernando conseguiu conquistar o posto de capitão e ídolo nos quatro anos em que atuou no clube (2015 -2019). Foram 99 jogos e 25 gols.

Depois de belas atuações pelo Chongqing, ele conseguiu uma transferência para o Guangzhou Evergrande e imediatamente foi emprestado para o Hebei Fortune. Equipe na qual ele defendeu por um ano, atuando em 10 jogos e marcando 2 gols. Em 2020, Fernando foi chamado de volta para o Guangzhou e já atuo nesta temporada e marcou o seu primeiro gol na partida contra o Dalian Pro no dia 25/08.

Assim como os outros jogadores desta lista, Fernandinho também entrou com o processo de naturalização chinesa e conseguiu o direito. Seu novo nome é Fèi nán duō. A única diferença dele para Ai Kesen e Luo Goufu, é que ele ainda não foi convocado para a seleção da China ainda. Os outros dois foram.
 

Alan Douglas Borges dos Santos ou Ālán
 


    
O quarto atleta da nossa lista de desconhecidos no Brasil, mas ídolo na China é Alan, de 31 anos. A carreira dele no futebol profissional começou no Fluminense, em 2008. Nos dois anos de clube, ele disputou 84 jogos, marcou 22 gols e conquistou a Copa do Brasil de 2010. As boas atuações pelo Tricolor das Laranjeiras chamaram a atenção do Red Bull Salzburg (Áustria) e ele foi vendido em 2010.

Nos cinco anos em que ficou na Europa, Alan conseguiu viver seu melhor momento na carreira. Ele marcou 93 gols em 129 jogos e conquistou seis títulos com a equipe e três prêmios individuais:

Bundesliga da Áustria: 2011/12; 2013/14 e 2014/15
ÖFB-Cup, Taça da Áustria: 2011/12; 2013/14 e 2014/15
Artilheiro da Copa da Áustria: 2013/14 e 2014/15
Artilheiro da Liga Europa: 2014/15.

O sucesso conquistado no velho continente acabou despertando a atenção dos chineses do Guangzhou Evergrande, que o compraram por 11,10 milhões de euros do Salzburg, em 2015. Esse valor era quase 3x maior que o do seu passe.

Na China, Alan rapidamente conquistou seu espaço, marcou gols e conquistou títulos. Foram 58 tentos em 102 partidas, três Superligas da China (2014/15 a 2016/17), três Supercopas da China (2015/16 a 2017/18) e uma Taça da China (2015/16).

Nas últimas temporadas, Ālán vem sendo emprestado pela equipe da província de Cantão. Ano passado ele atuou Tianjin Tianhai e agora está no Beijing Guoan.

Assim com Ai Kesen, Lou Guofu e Fèi Nán Duō, Alan conquistou notoriedade, elevou sua carreira para outro nível e também acabou se naturalizando Chinês. Seu novo nome é: Ālán, já que a China “batiza” seus cidadãos com novos nomes ao receberem a nacionalidade.


Ricardo Lopes
 

Revelado pelo Ituano em 2013, Ricardo Lopes atuou por seis clubes de pequena e média expressão  (Ituano, Gurupi, Escola Paraíso, Interporto, Fortaleza e Globo-RN) do nosso futebol. Em 2015, ele recebeu uma oferta do futebol sul-coreano, para jogar no Jeju Utd, que transformou por completo sua carreira e vida.

Depois de uma temporada de adaptação a cultura e o ritmo do esporte na Coreia do Sul, Ricardo se transferiu para outro time do país: o Jeonbuk Motors, e conseguiu elevar o patamar da sua carreira de um simples reforço para ídolo do clube. Os números comprovam o status.

Ricardo Lopes no Jeobunk: 4 anos, 3 campeonatos nacionais, K-League, (2016/17 a 2018/19); Liga dos Campeões da Ásia (2015/16), um dos escolhidos para o time do ano de 2018 da Liga e 49 gols em 151 jogos.

Depois de conquistar o status de ídolo na sul-coreano no futebol, Ricardo recebeu uma oferta do Shanghai SIPG de 5,45 milhões de euros e trocou a Coreia pela China no começo de 2020.

A escolha está dando certo. Mesmo com o atraso do início da temporada por conta da pandemia do novo Coronavírus, ele um dos artilheiros da China com 4 gols em quatro jogos. O Shanghai é o segundo em sua chave da Superliga Chinesa.     

Em entrevista a redação do China Brasil Futebol, Ricardo contou um pouco sobre essa mudança e porque sair do país que o consagrou como ídolo “O futebol da Coreia (do Sul) me fez muito bem. Evolui muito na minha carreira e como pessoa. Mantenho amigos lá até hoje. Resolvi trocar de liga para tentar um novo desafio. Surgiu a oferta do Guangzhou e eu aceitei. Acho que fiz bem”.

Texto de: Diego Palma

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